Edição n.º 137

Até sempre

Iniciámos este ano tal como o vamos terminar, sob a égide da pandemia e dos seus riscos. Efectivamente, comparando os números de infectados e de mortes verificados no início de 2021 e os números que temos agora, há uma diferença positiva, resultado da vacinação que, no geral, decorreu bem e deixou os portugueses vacinados numa percentagem acima de 80% do total dos residentes.

Mas os riscos que advêm desta pandemia não são as únicas sombras na economia. Para além daquelas, o custo da energia e a inflação podem ensombrar as mais favoráveis previsões económicas.

No entanto, e no geral, a economia parece estar a recuperar, reflexo da retoma que se verifica um pouco por todo o mundo. Nos EUA, o PIB já conhece valores superiores aos níveis anteriores à COVID-19, apesar do reconhecimento recente pelo FED da subida da inflação. Igualmente na China, o PIB cresce acima do valor esperado e na Europa as previsões também estão a ser ultrapassadas. Portugal parece seguir este movimento, com o consumo público e privado a ultrapassarem os níveis verificados no final de 2019. A continuar assim, poderemos vir a ter taxas de crescimento elevadas, quer no exercício corrente, quer no próximo ano, caso não persistam as faltas de fornecimentos em sectores de actividade fundamentais e caso se venha a verificar um ritmo robusto de investimento, de forma a impulsionar sustentadamente a recuperação.

O PIB português contraiu 7,6% em 2020 (superior à queda de 6,8% na área do euro) e apresenta agora uma previsão que poderá exceder o valor de 4,8% para o próximo exercício, aproximando-se do nível pré-pandemia no final do ano. O mercado de trabalho recuperou 2,6% do emprego e 8,4% de horas trabalhadas, com uma taxa de desemprego abaixo de 7% nos primeiros trimestres do ano. A poupança dos particulares, que chegou a atingir 12,8% do rendimento disponível no ano anterior, desceu, entretanto, para 9,4% no segundo trimestre de 2021. O endividamento continua preocupante e a dívida publica, em especial, continua muito elevada. No entanto, os recursos de que Portugal dispõe e que advêm quer do PRR, quer dos fundos europeus em geral, se devidamente aplicados, poderão levar Portugal a convergir com a Europa, situação que já vivemos e da qual nos afastámos nos últimos anos.

Foi, portanto, um ano difícil, mas pelas razões acima elevadas há uma forte expectativa de virmos a superar as dificuldades, retomando um ciclo sustentado de crescimento económico, com melhoria acentuada da competitividade e da produtividade que permitam a convergência com a UE, sem esquecer as preocupações da inclusão social e da coesão territorial, gerando a riqueza indispensável a garantir o bem-estar dos portugueses.

Dentro das naturais limitações que este invulgar tempo que temos atravessado nos impõe, a Ordem dos Economistas continuou a trabalhar, a realizar as suas iniciativas, a publicar as publicações habituais com a mesma qualidade, exigência e independência. Quer neste ano, quer desde sempre, os eventos organizados pela Ordem, as iniciativas de terceiros em que a Ordem participou ou as colaborações nas publicações da Ordem foram prova de vitalidade, variedade de oradores e moderadores e preocupação pela universalidade de temas e pelo tratamento ético e independente daqueles.

Pessoalmente, cheguei agora ao final do mandato que iniciei há quatro anos. Foram, no global, três mandatos em onze anos em que as equipas dirigentes a que presidi fizeram o melhor que sabiam para dignificar a profissão, deixar a Ordem com uma sustentável situação financeira, com a aquisição a pronto da sede nacional e a organização interna dos serviços, nomeadamente com a digitalização dos processos, a criação de delegações regionais e de vários colégios da especialidade. Este é o momento para agradecer a todos que colaboram com as publicações regulares da Ordem, os vários especialistas que, quer nesta edição, quer nas imensas edições anteriores, contribuíram com os seus artigos originais para a excelência que logramos alcançar em cada número.

A todos, obrigado e até sempre.


Rui Leão Martinho

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