CADERNOS DE ECONOMIA 128

O objectivo primeiro

A XIII legislatura chegou ao fim. E, tal como tem acontecido há várias legislaturas, as reformas e transformações fundamentais ficam por realizar. Refiro-me a questões tão importantes como as que se relacionam com a demografia, com a competitividade ou com a poupança, por exemplo.

Na verdade, há uma governação “à vista”, tentando responder aos anseios e desejos dos cidadãos no que respeita a remunerações salariais, regulamentação do trabalho ou outras matérias com consequências imediatas positivas para a população, mas tem posto pouca ênfase em matérias que nunca podem ser descuradas ou cujo ritmo de realização pode ser aliviado pela premente necessidade que Portugal tem de crescer de forma sustentada, criando riqueza e proporcionando assim melhores condições de vida a todos, especialmente aos que mais necessitam.

Sem deixar de referenciar o progresso alcançado, nos últimos anos, pelo nosso país, este continua a ocupar um modesto lugar no ranking europeu em vários indicadores de qualificação. E entre esses, contam-se os relativos à competitividade da economia, à baixa produtividade quando comparada com os restantes países europeus e à qualificação profissional dos portugueses.

E é precisamente esse o tema deste número dos “Cadernos de Economia”. Embora a questão da falta de qualificação dos portugueses seja uma questão de gerações e necessite de um longo período para ser ultrapassada, Portugal tem forçosamente de fazer deste objectivo o primeiro de todos a ser alcançado e deve constituir uma ambição para a qual é indispensável uma atitude de vontade e de persistência de todos (governantes, partidos políticos, sociedade civil).

São muitas as colaborações nestes Cadernos, todas curiosas, interessantes e dignas de serem lidas, reflectidas e poderem auxiliar grandemente a batalha pela qualificação que deve ser o mais generalizada possível para obter o resultado pretendido.

Já recentemente, como relator que fui no Conselho Económico e Social (CES), escrevi e recomendei a máxima prioridade que deve ser dada à melhoria da qualificação dos portugueses. Esse parecer, que foi aprovado em plenário pelo CES, foi depois remetido ao Governo e deverá ser levado em devida conta se se pretende efectivamente melhorar.

Quando consultamos as publicações oficiais nacionais ou europeias não é possível ficarmos orgulhosos de termos mais de 50% de portugueses que não completaram o ensino secundário ou de termos uma posição modesta no que se refere à população com o ensino superior.

Também se torna incompreensível que ainda não tenha sido assumido com vontade e determinação o ensino técnico-profissional que tanta falta tem feito desde que foi descontinuado por razões meramente políticas e não se tenha assimilado, como se devia, o bom resultado sustentado do sistema Dual, que tanto acarinhei nos anos noventa do século passado quando fui presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. Daí a dificuldade de encontrarmos ainda hoje a mão-de-obra qualificada para as mais variadas áreas e sectores, o que em parte também pode explicar a dificuldade de atracção de investimento directo (nomeadamente, estrangeiro), sendo, pois, urgente lutar por todas as vias para que este superior objectivo de melhoria da qualificação dos portugueses seja alcançado.


Rui Leão Martinho

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