O Economista 2020

A pandemia apenas agravou

O que Portugal está a atravessar em matéria da pandemia não deixa muitas dúvidas sobre o não controlo da situação sanitária do País.

Tal como no resto do mundo, e especialmente na Europa, esta situação está a prolongar-se sem ainda um horizonte previsível de resolução, pelo que as consequências na economia são de uma importância extrema. Na realidade, as contas públicas portuguesas irão atingir, no final de 2020, um défice que oscilará entre os 8 e os 10%, enquanto o PIB poderá sofrer uma variação entre 9 e 12%.

O vírus SARS-CoV-2, com as consequências que estamos a viver, trouxe uma crise económica muito profunda, pois para além das despesas derivadas desta inesperada pandemia pôs a nu as muitas debilidades que já tínhamos e que tinham sido ignoradas e não resolvidas ao longo dos últimos anos.

Este século tem-se caracterizado, em Portugal, por uma estagnação económica, por um fraco crescimento e por uma ausência de reformas estruturais. Mesmo as medidas tomadas durante o período de intervenção externa de 2011 a 2015 acabaram por ser, na sua maioria, revertidas nos anos seguintes, logo conjunturais.

Assim, é fácil percebermos que sem reformas estruturais e tendo já atingido receitas fiscais em valores máximos difíceis de superar, a que se junta uma elevada dívida pública, a pandemia veio simplesmente agravar a débil situação da nossa economia.

Internacionalmente, há uma expectativa da recuperação da pandemia e das suas consequências de uma forma longa, desigual e incerta. Daí, a importância extrema do aproveitamento dos fundos europeus que nos estão destinados e do Plano de Recuperação e Resiliência, o qual deve estar articulado com o que está pensado a nível da União Europeia, participando assim verdadeiramente num projecto europeu de relançamento e modernidade. Temos de pôr termo à incapacidade que Portugal tem tido de crescer a um ritmo razoável, optando firmemente por tomar as decisões que nos permitam um crescimento sustentado e robusto.

Estes temas estão patentes em cada um e em todos os trabalhos que constam desta edição do Anuário.

Tentámos abordar os mais diversos sectores da economia, nas perspectivas diferentes de especialistas de várias áreas e aguardamos que da sua leitura se possam retirar elementos que nos ajudem a compreender melhor a situação que estamos a viver e a preparar melhor o nosso futuro colectivo.


Rui Leão Martinho

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