Edição n.º 133

Esperança renovada

Estamos a terminar um ano excepcional, caracterizado pela disseminação, a nível mundial, de uma pandemia que nos tem tolhido, confinado e cujos efeitos se irão repercutir por um período longo. Efeitos marcantes sobre a saúde dos que foram infectados pelo vírus, sobre a sociedade em geral e especialmente sobre os mais fracos e desprotegidos e, claro, sobre a
economia. No entanto, terminamos este ano com uma esperança renovada de vencer, a médio prazo, a pandemia através da vacinação e de atingir um nível imunitário nas populações dos vários países que nos permita, a pouco e pouco, retomar as nossas vidas e a actividade regular das empresas e instituições.

Portugal começou a sofrer, logo no primeiro trimestre, os efeitos desta crise sanitária agravada nos meses a seguir às férias de Verão e chega ao final de 2020 com um número elevado de óbitos (motivados quer pela COVID-19, quer por outras doenças), um número de internados em unidades de saúde ainda muito elevado e vivendo períodos sucessivos do estado de emergência. Situação esta semelhante à vivida em muitos outros países.

E no que respeita à situação económica, esta tem vindo a agravar-se, apesar das medidas tomadas pelo Governo no sentido de ajudar as famílias e as empresas a resistirem, sempre na expectativa de ultrapassarmos esta crise o mais rapidamente possível.

Portugal, antes do eclodir desta crise sanitária, já apresentava sinais evidentes de uma certa debilidade, quer em matéria de finanças públicas, quer no que se refere ao tecido empresarial. Na realidade, apesar de termos conseguido em 2019 o primeiro superavit do Orçamento do Estado, debatemo-nos com uma elevada dívida pública, atraso nas reformas há muito consideradas necessárias, quer em matérias como a Segurança Social ou a Justiça, quer na organização e modernização da Administração Pública ou na lei eleitoral.

E esse retardar de reformas, bem como o alto grau de endividamento público e empresarial agravam ainda mais a situação que estamos a viver e a recuperação e retoma que, inevitavelmente, se seguirão.

Estas afirmações foram recentemente corroboradas pela OCDE que, nas suas previsões para os próximos anos, refere as dificuldades que iremos enfrentar, o baixo crescimento económico para os exercícios seguintes e o facto de não termos realizado as reformas necessárias na sociedade e na economia que nos permitam agora, com os fundos europeus, apanhar o comboio da transição energética e da transição digital em pleno, assim como o que se refere às alterações climáticas dentro de um novo contexto global, com uma agenda positiva de criação de mais e melhor valor na economia.

Trata-se de um aviso que deveremos saber aproveitar, traçando com ambição um plano estratégico colectivo para este próximo decénio, com soluções simples e um novo contrato entre o Estado e o mercado.

Deveremos começar o próximo ano com esperança, ambição de fazer mais e melhor e uma atitude construtiva e plural.

Todas estas reflexões estão espelhadas nesta edição dos Cadernos de Economia, em vários trabalhos de prestigiados especialistas e de profissionais de várias áreas e actividades.

Aproveito, na presente época festiva e embora consciente das limitações que vivemos, para desejar a todos os leitores, membros da Ordem dos Economistas e colaboradores, um Santo Natal e um excelente 2021.


Rui Leão Martinho

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