CADERNOS DE ECONOMIA 127

Um congresso voltado para o futuro

A cada dois anos, a Ordem dos Economistas organiza o seu Congresso Nacional de Economistas. E este ano, a 9 e 10 de Julho, realiza-se no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a oitava edição do Congresso.

Toda a preparação de um evento desta envergadura exige sempre um trabalho ao longo de muitos meses, primeiro discutindo as várias temáticas que podem ser abordadas até à escolha final, depois a identificação dos oradores e moderadores que possam desenvolver esses temas e ainda a própria logística, os apoios e a divulgação da iniciativa, quer junto dos milhares de membros da Ordem, espalhados pelo País e pelo estrangeiro, quer junto do público em geral que possa ter interesse em assistir e participar.

Nesta oitava edição do Congresso vamos falar durante um dia e meio de visões e decisões, tendo como horizonte 2030, e em torno de quatro grandes desafios que temos pela frente, sob o ponto de vista económico: a tecnologia, a demografia, a economia e a globalização.

Portugal, nação a caminho de completar 900 anos de existência, já percorreu um longo caminho no sentido da modernização, da integração numa zona privilegiada como é a União Europeia e do progresso. 

No entanto, há ainda que encontrar os devidos caminhos capazes de sustentarem o crescimento de Portugal, mesmo perante uma conjuntura externa complexa (Brexit, migrações, interesses nacionais, irrelevância global da Europa, populismos), à qual se adicionam os desafios internos associados à implosão demográfica e ao seu impacto no sistema de segurança social, na falta de mão-de-obra qualificada conjugada com a necessidade de investir mais e de forma sustentada na qualificação profissional dos portugueses, as assimetrias territoriais e a desertificação do interior evitando cair na partidarização das regiões ou a diminuição gritante e crescente da confiança dos cidadãos no sistema político. 

Será exactamente ao longo do Congresso que teremos oportunidade de abordar temáticas tão determinantes do que poderá ser o destino dos portugueses, como é o caso do aparecimento da sociedade digital, com a criação de novas profissões, algumas delas ainda hoje difíceis de caracterizar e a influência determinante no mercado de trabalho.

Igualmente a propósito da demografia, talvez a questão mais importante que se coloca ao nosso país, teremos oportunidade de discutir e apresentar propostas e possíveis soluções para a diminuição da natalidade e da taxa de fecundidade, para a forma como a segurança social e o sistema de saúde devem estar preparados para o aumento da esperança de vida dos portugueses e as experiências que neste capítulo da demografia já foram implantadas noutros países com sucesso.

A perspectiva do que Portugal poderá ser dentro de dez anos, caso se aproveite este decénio, se proceda com critério às reformas inadiáveis em domínios já referidos atrás (por exemplo, na segurança social e nos sistemas de pensões, no serviço nacional de saúde, nos serviços da administração pública, na ordenação do território ou na qualificação profissional) e se continue a acreditar e a trabalhar com a finalidade de fortalecer a União Europeia em que Portugal está integrado será também abordada neste evento e poderá dar aos participantes elementos importantes para a compreensão do que nos espera e das nossas capacidades e vontade de melhorarmos, fazendo o País ser mais competitivo, com maior produtividade, com maior crescimento económico de forma a poder dar às famílias e às empresas um ambiente de bem-estar, de futuro e mais feliz. Criar sustentadamente as condições para atrair investimento produtivo estrangeiro, bem como aumentar o investimento em I&D, reduzir de forma drástica a morosidade dos processos judiciais serão peças importantes de um processo que precisa de todos mas cujos efeitos benéficos também se aplicarão a todos.

Conjugado com este importante evento, que será o 8.º Congresso Nacional de Economistas, está a presente edição da revista “Cadernos de Economia”. Nela, encontrarão trabalhos de alguns dos mais reputados profissionais destas temáticas, parte deles presente a 9 e 10 de Julho como oradores ou comentadores dos vários painéis que compõem esta iniciativa.

Boa leitura e espero que uma expressiva parte destes leitores possa estar presente e acompanhar os trabalhos do Congresso. 

Rui Leão Martinho

 

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Notícias

Centeno a caminho da presidência do FMI?

Mário Centeno consta de uma lista de seis candidatos à presidência do Fundo Monetário Internacional, para substituição de Christine Lagarde que passará a liderar o Banco Central Europeu (BCE). Os outros candidatos são: Nádia Calviño, ministra espanhola da Economia; Olli Rehn, governador do banco central finlandês; George Osborne, ex-ministro das Finanças britânico; Jeroen Dijsselbloem, ex-presidente do Eurogroupo; Mark Carney, governador do Banco de Inglaterra. Alguma imprensa internacional de referência, entre a qual o prestigiado Wall Street Journal, considera que o actual ministro das Finanças de Portugal tem grandes possibilidades de vir a liderar o FMI. Quem não deve gostar muito da ideia é o primeiro-ministro António Costa…

Preço dos combustíveis vai descer

O preço dos combustíveis em Portugal vai descer a partir do próximo dia 22 de Julho. As descidas do gasóleo e da gasolina não devem ultrapassar 1 cêntimo por litro em ambos os casos. A alteração prende-se com o comportamento dos preços dos derivados de petróleo nos mercados internacionais. O euro perdeu terreno contra o dólar, mas de uma forma ligeira, pelo que o impacto foi quase nulo. Tudo indica que o custo do litro do gasóleo simples passe a ser de 1,336 euros, enquanto que a gasolina simples deverá ser vendida a 1,511 euros o litro.

PIB acelera

Segundo dados do Banco de Portugal revelados em 19 de Julho, o indicador que mede o estado corrente da actividade económica do País estabilizou em 2,2% em Junho (em Maio também 2,2%), após ter aumentado de forma consecutiva nos cinco meses anteriores. Analisando o trimestre terminado em Junho, os dados do Banco de Portugal apontam para uma aceleração no segundo trimestre de 2019. O indicador para o consumo privado acelerou pelo terceiro mês consecutivo de uma variação homóloga de 2,3% em Maio para 2,4%.

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