Edição n.º 132

Estará o mundo ocidental resignado ao declínio?

Eis uma questão que hoje se pode colocar, cada dia com maior ênfase, perante o número de mortes no espaço de alguns meses (parte relevante das quais devido à COVID-19), perante um movimento inexplicável e inaceitável do derrubamento de estátuas, perante uma estagnação económica prolongada.

Na realidade, quem acompanha estes temas, ao longo dos últimos decénios, facilmente se recorda da situação que o Japão vive desde o século passado. E dir-se-ia que é agora o mundo que vive uma situação muito semelhante à do Japão. A população activa tem vindo a decrescer, o número de nascimentos há muito que não cresce, o que deixa antever uma notável diminuição de produtores e de consumidores, enfim vive-se uma estagnação económica prolongada. Até agora, a resposta encontrada para combater esta estagnação tem sido invocar o papel dos Estados para substituir a queda do investimento privado. Mas não tem sido suficiente. Tem havido uma grande preocupação orçamental por parte dos Estados, agravada pelas taxas de juro, preocupação que, neste momento, se dissipou devido à pandemia e à liberdade que foi concedida aos Estados para se poderem endividar de forma a fazerem frente à situação sanitária e a que se junta o facto das taxas de juro serem muito baixas, quase nulas. Desta maneira, temos hoje reunidas as condições necessárias e suficientes para preparar o futuro e enfrentar esta situação de estagnação secular. E para também criarmos condições para o alargamento do domínio da inovação.

Mas será que os países afectados por esta situação querem lançar mãos à obra, reformar o que precisa de ser reformado nas sociedades, preparar o longo prazo mesmo sacrificando parcialmente o presente para preparar condignamente o futuro? Não podemos demonstrar incapacidade de gerir esta crise, restaurar a confiança e preparar o futuro por falta de vontade, por falta de desejo de realizar e eliminar a estagnação económica em que vivemos. Seja na educação e qualificação da população, seja na habitação, ou ainda na saúde ou nos transportes, em todas estas áreas a questão fundamental não parece serem os meios, os recursos, mas sim a vontade.

Não interessa tanto se as inovações a introduzir vêm do Estado (ponto de vista perfilhado pelos intervencionistas) ou se vêm das empresas (como defendem os liberais), antes o que interessa é ter a vontade de as introduzir, eficientemente e de forma persistente, de forma a não termos mais que nos confrontar com um mundo sem crescimento e sem horizonte a longo prazo. Esta espécie de “doença civilizacional” que assola o mundo tem de ser combatida e pode sê-lo. Devemos reduzir as vulnerabilidades que a nossa economia tem, aumentar a capacidade de crescimento e garantir a coesão social.

E entre os vários objectivos a ter em atenção ao abordarmos estas questões destaca-se o que se refere ao sector energético e à necessária transição que estamos a viver e se irá intensificar nos próximos anos. A decisão política de descarbonizar a economia e o reconhecimento de que a electrificação não resolve inteiramente os problemas, nomeadamente em sectores como os transportes marítimos, rodoviários e aéreos de longo curso, justificam esta transição energética, tema que ocupa a presente edição dos Cadernos de Economia.


Rui Leão Martinho

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