A corrente partiu

… E, ao fim de seis orçamentos aprovados com o apoio da esquerda parlamentar, o entendimento entre estas forças políticas ruiu. A corrente partiu, o sétimo Orçamento do Estado foi rejeitado, a Assembleia da República vai ser dissolvida, as eleições estão aí. O diabo em forma de “berbicacho”…

É a crise, a inusitada crise, que todos os partidos, todas as confederações patronais e sindicais, todas as instituições da chamada sociedade civil dizem não desejar. (Aqui, neste espaço não se faz comentário político-partidário; por isso, dispensamo-nos de analisar os causadores directos do desenlace).

A nova situação, realmente inesperada, surge numa altura em que o País vem dando sinais de recuperação, com o PIB a crescer (a OCDE prevê que regresse ao nível pré-pandemia ainda durante o quarto trimestre deste ano) e a dívida pública a cair 2,1 mil milhões de euros em Setembro.

Mas o horizonte continua plúmbeo, o futuro apresenta-se complexo. Alguns dos nossos analistas mostram-se muito pessimistas, como João César das Neves (pág. 51) ao opinar que “a futura situação das finanças públicas parece evidente: de momento temos as contas ligadas ao ventilador; quando saírem dos cuidados intensivos, é natural que venham a sofrer da síndrome ‘long COVID’ com mazelas duradoras”. Já António Costa Silva (pág. 21) não se coíbe em afirmar que Portugal vive uma situação dramática, explica onde o País tem falhado, e expressa algum optimismo: “Portugal pode melhorar substancialmente se o país souber utilizar o PRR e o Portugal 2030 para trabalhar com as empresas, as instituições do ensino superior e os centros de investigação e mexer nas alavancas que podem mudar o destino e a trajectória recente da economia portuguesa”.

Enfim, na sua pluralidade, algumas das maiores autoridades portuguesas a nível da economia, das finanças, do desenvolvimento e da prospectiva, apresentam uma macrovisão do presente e exprimem o seu pensamento em relação ao futuro. Por outro lado, os principais sectores de actividade, desde a banca e seguros ao turismo, passando pela educação, saúde, indústria, agricultura e automóvel, são especificamente analisados.-ARG