A difícil arte de “desconfinar”

A conciliação entre o combate à COVID-19 e a recuperação da economia não está fácil.

Após algumas semanas de alívio em termos sanitários, que permitiu a saída de milhares de portugueses das suas casas e a consequente laboração de fábricas, a abertura de estabelecimentos comerciais, enfim, o chamado regresso da economia, o fantasma viral voltou com forte intensidade, mormente na região da Grande Lisboa e Vale do Tejo.

Apontam-se causas, às vezes de forma simplista, criticam-se decisões, o medo reinstala-se, a confiança dilui-se. E sabe-se da importância da confiança em todos os domínios da sociedade, sobretudo na economia.

O Poder e as autoridades sanitárias, que tão bem estiveram na primeira fase da pandemia, merecendo os elogios nacionais e internacionais, dão agora mostras de uma certa desorientação – nas medidas e na comunicação. À semelhança, aliás, do que sucede em quase todos os países do mundo, com políticos e cientistas desesperados, debitando posições contraditórias, corrigindo hoje as posições de ontem.

Fala-se na segunda vaga, o secretário-geral da ONU afirma que, num cenário optimista, a normalidade no mundo só acontecerá a partir de 2023.

Em Portugal, o “passo atrás” na região da Grande Lisboa ordenado pelo Executivo, era inevitável – para segurança dos portugueses e, também, para a recuperação da boa imagem de Portugal no exterior, questão fundamental em termos económicos, nomeadamente quanto à atracção de turistas.

Nestes dias de algum desespero, começam a surgir vozes defendendo um novo lockdown. Não. Salvo casos excepcionais e pontuais, não é esse o caminho. A experiência mundial diz-nos que devemos e podemos “desconfinar” melhor. Como sugere Guterres, temos de conviver com o vírus pelo menos até 2023. Até lá, temos de harmonizar os problemas sanitários com a recuperação da economia. Não há outra opção, não há outro rumo.