O Economista, edição 2020

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Anuário

Descrição

Anuário da Economia Portuguesa • 33.ª edição • 2020 • 122 páginas • 205x290mm • ISSN 1646-9909

Deixando de parte umas quantas “profecias” – algumas verosímeis, é certo – pode dizer-se que quase ninguém previu a pandemia de 2020 e muito menos o seu grau de destruição. Investigadores, virologistas, infecciologistas, já para não falar dos vigilantes “radares permanentes”, todos foram surpreendidos pelo modo de aparecimento e pela força da COVID-19. E, como se sabe, ainda hoje o comportamento do vírus está longe de gerar unanimidade por parte da comunidade científica, o que torna a situação particularmente complicada. Os efeitos da COVID-19 na economia são incalculáveis. Como refere João César das Neves (página 22 desta edição), “ninguém podia antever a dimensão da terrível tempestade que subitamente se abateu sobre todo o mundo”. Trata-se de uma colossal calamidade sanitária que gerou uma crise económica sem precedentes. Na verdade, lembra o académico, “o mundo enfrenta em 2020 uma quebra do produto que não sentia desde a guerra de 1939-1945”. Assim é, de facto. Os dirigentes mundiais procuram medidas visando o equilíbrio entre o controlo da doença e o resgate da economia. Os problemas adensam-se, a situação social em muitas zonas do globo é explosiva. Em Portugal a situação é muito difícil. O especialista Francisco Melro sustenta (página 9) que a economia portuguesa vai reemergir após a pandemia muito mais fraca e dependente. Em seu entender, “será, das economias da União Europeia, a mais duramente e estruturalmente atingida”. Embora a realidade justifique o pessimismo – com a maioria dos sectores em dificuldade – há, por outro lado, razões para um cauteloso optimismo, tendo em conta a resiliência que se observa em diversas áreas de actividade – e não apenas as ligadas às novas tecnologias. Até na agricultura há cada vez mais casos de sucesso. Realmente, 2020 foi, está a ser, o pior ano das nossas vidas – em termos sanitários, económicos e sociais. Mas também esta pandemia será vencida, pelo que, agora, temos de alimentar uma esperança lúcida, olhando os casos bem-sucedidos. E procurando replicá-los.