Transição energética:
Um debate (quase) feito
e outro por fazer

A insustentabilidade do velho modelo energético, assente no consumo de combustíveis fósseis, é hoje uma questão (quase) pacífica – aceite, até, por um crescente número de ex-negacionistas das alterações climáticas.

Estamos longe (não tanto assim, em termos de anos de distância…) do debate “ambiente versus desenvolvimento económico”, quando se insinuava um “dilema” (que existiu, mas que nunca devia ter existido), quando se extremavam posições, digamos, “ideológicas”, entre ambientalistas e tecnocratas. Durante décadas, muito se discutiu acerca do tema, inclusive aqui, nos Cadernos de Economia.

Enfim, diz-se que falar hoje do perigo do alargamento do “buraco do ozono” ou da urgência de descarbonização, por exemplo, corresponde a um debate que já foi feito, cujas conclusões estão geralmente aceites. Realmente, já ninguém contesta o fim dos carros a gasóleo/gasolina e a sua substituição por viaturas eléctricas, movidas a hidrogénio ou a outro combustível; o que se analisa agora é a alternativa, o modo/data de fazer a transição. O que se diz dos automóveis, como mero exemplo, serve para todos os sectores da economia.

Ora, é este outro debate que está ainda por fazer.

Neste número dos Cadernos de Economia, vários especialistas, nomeadamente académicos/investigadores, dão contributos essenciais para um debate que urge intensificar – desejavelmente de forma serena, algo que nem sempre tem sucedido, sobretudo quando se trata de questões ligadas ao hidrogénio verde.